
Existe uma ideia de equilíbrio que, durante muito tempo, fez muita gente acreditar que uma vida bem vivida deveria funcionar como uma balança perfeitamente alinhada, com um pouco de trabalho, um pouco de família, um pouco de saúde, um pouco de dinheiro, um pouco de descanso e um pouco de desenvolvimento pessoal, tudo organizado, tudo no lugar, tudo ao mesmo tempo. Mas a vida real não funciona assim.
Há fases em que o trabalho exige mais de nós, e outras em que são os filhos que pedem essa energia; existem momentos em que precisamos direcionar nossa atenção para a saúde, e outros em que uma questão financeira exige prioridade, porque a vida se move em períodos de expansão e períodos de recolhimento. E talvez maturidade seja justamente compreender isso.
Quando comecei a pensar sobre as diferentes riquezas da vida, percebi que prosperidade não poderia significar apenas ter mais dinheiro, mas percebi também outra coisa: não basta reconhecer que existem outras formas de riqueza se continuarmos tentando viver todas elas em sua intensidade máxima ao mesmo tempo, porque isso também gera sobrecarga.
Tempo é riqueza. Saúde é riqueza. Conhecimento é riqueza. Pessoas são riqueza. Dinheiro é riqueza. Espiritualidade também é riqueza. Mas essas riquezas não precisam ocupar exatamente o mesmo espaço em todos os momentos da nossa história — talvez, neste mês, a sua maior riqueza precise ser o tempo: tempo para estar mais perto dos filhos, tempo para reorganizar a casa, tempo para pensar, tempo para simplesmente não produzir. Em outro momento, talvez seja necessário colocar mais energia no dinheiro, organizando o negócio, aumentando as vendas, revendo preços, estruturando uma nova fonte de receita. E está tudo bem, porque isso não significa que você deixou de valorizar as outras áreas da sua vida, significa apenas que você entendeu a fase em que está.
Esse entendimento pode ser especialmente libertador para mães empreendedoras, porque existe uma cobrança silenciosa para que consigamos estar presentes em todos os lugares da mesma maneira — queremos ser mães presentes, empreendedoras produtivas, profissionais atualizadas, companheiras disponíveis, amigas presentes, pessoas saudáveis, organizadas, financeiramente responsáveis e emocionalmente equilibradas, tudo isso enquanto tentamos dormir oito horas, fazer atividade física, comer bem, estudar, produzir conteúdo e ainda encontrar algum tempo para nós mesmas.
Talvez o problema não esteja em querer uma vida rica em todas essas dimensões, mas em acreditar que todas elas precisam estar perfeitas hoje. Não precisam. A vida acontece por ciclos, e cada ciclo pede alguma coisa de nós: quando minhas filhas precisam mais de mim, talvez eu precise diminuir o ritmo em algum outro lugar; quando meu negócio entra em uma fase importante de crescimento, talvez seja necessário negociar temporariamente alguns espaços da agenda; quando meu corpo pede atenção, talvez seja hora de cancelar compromissos e reorganizar prioridades. Isso não é fracasso, é consciência.
O perigo aparece quando uma riqueza cresce permanentemente às custas de todas as outras — quando o dinheiro aumenta, mas a saúde desaparece; quando o negócio cresce, mas você nunca mais tem tempo; quando existe conhecimento demais, mas nenhuma presença; quando existem muitas pessoas ao redor, mas nenhuma conexão verdadeira. É aí que precisamos parar e perguntar:
Qual riqueza está ocupando espaço demais na minha vida?
E talvez ainda mais importante:
Qual riqueza estou deixando pobre enquanto tento enriquecer outra?
Essas perguntas não servem para gerar culpa, servem para gerar clareza, porque clareza permite escolha, e escolha permite mudança. Talvez você não precise reorganizar a vida inteira agora, talvez precise apenas identificar qual riqueza está pedindo cuidado nesta fase e fazer um pequeno movimento em direção a ela: uma consulta marcada, uma conversa que estava sendo adiada, uma tarde com os filhos sem celular, uma decisão financeira, uma hora dedicada ao negócio, um livro aberto novamente, uma oração feita com presença. Pequenos movimentos também constroem vidas abundantes.
Porque prosperidade não significa ter tudo, prosperidade é conseguir reconhecer aquilo que realmente importa enquanto a vida está acontecendo. E talvez a verdadeira riqueza esteja justamente aí: não em manter todas as áreas perfeitamente equilibradas, mas em ter consciência suficiente para saber qual delas precisa de você agora.
Dá o passo que o universo dá o chão.
Simone Ferreira Rabuske. Autora dos livros Mãe empreendedora sem culpa e Muito além do dinheiro, profissional da comunicação com mais de 30 anos de experiência, empresária, empreendedora e mãe. @simonedafrente



